A informação se tornou o principal insumo do marketing contemporâneo, mas transformar o volume de registros em decisões práticas ainda é um desafio.
Segundo o Relatório de Engajamento do Cliente 2025, da Braze, 54% dos times de marketing têm dificuldade em encontrar ferramentas de análise que atendam às suas necessidades.
O levantamento expõe um gargalo estrutural: a digitalização acelerou a geração de informações em múltiplos pontos de contato. Ao mesmo tempo, aumentaram as exigências por personalização, eficiência operacional e resultados em tempo real. Nesse sentido, o desafio deixou de ser o acesso e passou a ser a integração e o uso estratégico.
Esse contexto ajuda a explicar por que soluções de análise e uma plataforma de engajamento do cliente ganharam relevância nas estratégias das empresas. Os números do relatório ajudam a dimensionar a complexidade enfrentada pelas equipes:
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32% das marcas ainda dependem de soluções pontuais e desconectadas para cada canal;
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apenas 50% das empresas afirmam ter uma plataforma unificada de engajamento em múltiplos canais;
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79% dos executivos de marketing dizem não estar totalmente seguros de que compreendem as preferências e os sentimentos dos usuários.
A dificuldade em encontrar ferramentas adequadas, portanto, não está associada à ausência de tecnologia, mas à fragmentação do ecossistema, à complexidade das integrações e à falta de soluções centradas no usuário. Tais fatores impactam diretamente estratégias de engajamento, retenção e crescimento de receita.
Por que mais da metade das equipes enfrenta dificuldades para encontrar ferramentas adequadas?
A principal razão está na fragmentação do ecossistema de marketing. Ao longo do tempo, empresas passaram a adotar soluções distintas para tarefas específicas, como mídia paga, CRM, automação, analytics e atendimento. Como consequência, surgiram múltiplas fontes de informação que não se comunicam entre si.
Esse cenário foi agravado pelo crescimento acelerado do volume de informações. Dados de navegação, comportamento em aplicativos, histórico de compras e interações em canais próprios e pagos passaram a coexistir sem uma estrutura unificada.
Para muitas equipes, o problema deixou de ser a coleta e passou a ser a organização e a interpretação, o que amplia a dependência de uma plataforma de engajamento do cliente capaz de integrar essas informações.
Outro fator relevante é a complexidade das integrações. Conectar sistemas distintos exige conhecimento técnico, tempo e investimento, o que pesa ainda mais em equipes enxutas. Como resultado, informações valiosas permanecem dispersas e subutilizadas.
De forma geral, a dificuldade costuma estar associada a três fatores principais:
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Fragmentação do stack de marketing, com soluções isoladas por função ou canal;
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Sobrecarga de informações sem critérios precisos de organização;
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Integrações complexas que limitam o uso estratégico no dia a dia.
Quais impactos essa limitação traz para estratégias e resultados de negócio?
A dificuldade em analisar informações de forma eficiente afeta diretamente a tomada de decisão. Sem uma visão integrada do cliente, campanhas tendem a se apoiar em recortes parciais, o que reduz a personalização e a relevância das mensagens.
Os efeitos dessa limitação também aparecem nos indicadores financeiros. Estratégias pouco orientadas por dados elevam custos de aquisição, reduzem taxas de retenção e dificultam a expansão do lifetime value.
Em mercados competitivos, essa combinação compromete eficiência e escala, especialmente quando não há uma plataforma de engajamento do cliente que sustente decisões em tempo real.
Um artigo da Revista FT ajuda a ilustrar esse movimento a partir do comportamento do consumidor. Segundo o texto, 53% das pessoas realizam compras online ao menos uma vez por mês. Outros 8% compram semanalmente. O dado indica que os canais digitais já fazem parte da rotina de consumo.
Ao mesmo tempo, 33% afirmam comprar raramente. Outros 6% dizem não utilizar o e-commerce. O cenário aponta para um ambiente híbrido, no qual a experiência digital ainda influencia conversão e recorrência.
Outro efeito recorrente é o atraso na resposta ao comportamento do consumidor. Sem sistemas capazes de analisar informações em tempo real, marcas reagem tardiamente a mudanças de interesse, abandono de jornadas ou oportunidades de engajamento mais estruturais.
Quais tipos de ferramentas podem apoiar equipes de marketing?
Diante desse cenário, diferentes categorias de soluções passaram a ganhar espaço nas operações:
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ferramentas de web analytics voltadas à análise de navegação e conversão;
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soluções de BI que organizam informações em dashboards e relatórios;
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ferramentas de automação responsáveis por executar campanhas e fluxos recorrentes.
Nos últimos anos, soluções baseadas em inteligência artificial também se tornaram mais presentes, apoiando a identificação de padrões, a previsão de comportamentos e a otimização de decisões.
Ainda assim, o uso isolado dessas tecnologias raramente resolve o problema central. Sem integração entre sistemas e uma visão contínua do cliente, o risco é ampliar a fragmentação e limitar o impacto das análises.
Como outras soluções complementares contribuem para a análise de dados?
Além de uma plataforma de engajamento do cliente, outras soluções exercem papel complementar importante quando integradas de forma consistente, como CRMs, ferramentas de BI e sistemas de automação.
Em frentes como analytics, BI, CRM e automação, essas ferramentas são fundamentais para apoiar a leitura de desempenho, a organização das informações e a execução operacional quando integradas de forma consistente.
Quando conectadas, essas tecnologias ampliam a capacidade analítica das equipes. A maturidade digital depende menos da quantidade de ferramentas adotadas e mais da capacidade de integrar informações, interpretar sinais e agir com base em percepções consistentes.
O que os dados da pesquisa revelam sobre o momento do marketing?
Mais da metade das equipes relata dificuldade em encontrar ferramentas adequadas, um dado que ajuda a retratar o estágio atual do marketing digital.
O Relatório de Engajamento do Cliente 2025 mostra que, apesar do avanço tecnológico, muitas organizações ainda operam com estruturas fragmentadas. A baixa integração entre sistemas limita a ativação de informações em tempo real.
Ao analisar esse movimento, a pesquisa aponta que a maturidade do marketing deixou de estar ligada apenas à adoção de novas tecnologias e passou a depender da capacidade de conectar dados, equipes e processos ao longo da jornada do cliente.
Essa mudança acompanha a transição de campanhas pontuais para estratégias orientadas por relacionamento contínuo, nas quais relevância e timing se tornaram determinantes para o desempenho das marcas.
Para se ter uma dimensão desse movimento, evidências acadêmicas seguem a mesma linha de interpretação. A fragmentação do ecossistema e a baixa integração entre sistemas reduzem a geração de insights acionáveis, mesmo em ambientes com maior disponibilidade de dados.
Foto de Beatriz Cattel na Unsplash
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