Como projetar a ‘Comunicação’ em 2026? Em um cenário marcado por instabilidade política e disputas comerciais, o relatório de inovação da Dentsu, Human Truths in the Algorithmic Era, aponta que a simplificação de processos e a personalização das experiências, de acordo com o humor e o contexto do público, devem orientar as decisões estratégicas das organizações nos próximos anos.
Ainda assim, o caminho não é linear. Imersas no ‘Doomscrolling’, prática digital de rolar continuamente a landing page do Instagram, comunidades inteiras enfrentam uma crescente “ressaca da informação”. O excesso de estímulos compromete a absorção das mensagens e cria barreiras para que o conteúdo chegue ao usuário final de forma clara e eficiente.
Esse cenário, analisado pela Diretora de Publicidade da Prefeitura Municipal de Salvador (PMS), Lília Lopes, integra o conjunto de tendências que devem moldar a Comunicação pública e estratégica em 2026. Ao reunir movimentos positivos e desafios emergentes, a profissional avalia que este é um momento decisivo para antecipar crises, fortalecer reputações e repensar estratégias diante do ‘Paradoxo da IA’.
“A ‘ressaca da informação’, que integra o quadro defasado da Comunicação para 2026, desponta como um dos maiores desafios para governos, empresas e organizações no mundo todo. Ao longo do ano, esses agentes precisarão se ajustar à velocidade das informações e às demandas de consumidores (GenZ, Alpha) cada vez mais exigentes, críticos e seletivos; que descartam conteúdos que não sejam relevantes ou confiáveis”, conta.
Tal cenário reforça a necessidade de acompanhar as mudanças no consumo de conteúdo. Pelos próximos meses, Lília projeta uma avalanche no consumo de vídeos curtos e virais, acompanhando, cada qual, seu nicho de atuação; o apelo ao fact-checking que, segundo a profissional, mexe no vespeiro da reputação das empresas; além do ‘paradoxo da IA’ na produção, consumo e desenvolvimento das atividades.
“Esse último, sem dúvidas, é o que mais causa estranheza. Estamos caminhando para um ano em que as ferramentas de IA alcançam um marco super realista, mas que ainda assim, conseguimos notar uma certa resistência dos consumidores finais. Obras que já vem marcadas como ‘conteúdo de IA’, naturalmente, têm menos apelo entre o público. No entanto, ferramentas como o Grok, ChatGPT e o VEO 3 seguem amplamente difundidas e utilizadas no mercado, facilitando o processo de ‘desenvolvimento’; mas ainda muito longe de serem aceitas como ‘produto final’ na comunicação de marcas, influenciadores ou governos”, explica.
Para o ano de 2026, os ‘vídeos curtos’ como reels e shorts deixam de ser opção para atuar como formato principal das estratégias de comunicação. Segundo Lília, o consumo destinado às novas gerações (Z e Alpha) deve transformar a maneira como o entretenimento e outros setores do mercado se comportam para dialogar com seu público-alvo.
Dentro da comunicação empresarial, principalmente na esfera pública, a profissional sênior destaca a importância de marcas e governos consolidarem sua reputação. “Isso porquê, com a informação cada vez mais pulverizada, as microcomunidades buscam (após a chamada dos influencers) checar as informações com autoridades. Nesse processo, que deve se afunilar até o final do ano, é importante que os governos fortaleçam sua presença no meio digital, simplificando as informações e o acesso para ter mais assertividade e relevância à nível global”, comenta.
Somando quase 30 anos de experiência no mercado de Comunicação Digital, Marketing, Publicidade e Política, Lília reforça que a Geração X possui um papel estratégico em 2026 na transformação das comunicações públicas. A profissional reforça que esses líderes trazem equilíbrio entre tecnologia e empatia, experiência e inovação; sendo capazes de guiar equipes jovens e traduzir dados e tendências em ações concretas.
“Os profissionais da GenX têm uma posição única neste cenário. Eles entendem a velocidade da informação, dominam a comunicação digital e, ao mesmo tempo, conhecem os fundamentos da construção de confiança e reputação. Em 2026, o sucesso da Comunicação pública dependerá da capacidade desses líderes para equilibrar inovação, dados e narrativa humana; garantindo que a mensagem não apenas chegue, mas seja compreendida e internalizada pelos cidadãos”, conclui.
Foto: Freepik
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