Marcas e consumidores não compartilham da mesma percepção sobre a eficácia da Inteligência Artificial (IA) no marketing. Enquanto a maioria dos profissionais do setor vê a tecnologia como ferramenta capaz de aprimorar recomendações e experiências de compra, parte significativa do público demonstra ceticismo quanto à sua qualidade e confiabilidade.
Pesquisa encomendada pela agência de creators Billion Dollar Boy revela que 61% dos profissionais de marketing estão preocupados com a ameaça que a IA representa ao modelo de recomendações entre pares, base da chamada creator economy. Ainda assim, apenas cerca de um terço dos consumidores acredita que a tecnologia oferece recomendações de alta qualidade ou melhora efetivamente a experiência do cliente.
Segundo a empresa, os resultados apontam “uma lacuna crescente de confiança entre como a indústria enxerga a IA e como os consumidores realmente a vivenciam.”
Principais resultados
Mais de três quartos dos profissionais de marketing (79%) e dos criadores de conteúdo (77%) afirmam que a IA entrega recomendações de produtos de alta qualidade: percentual muito superior aos 35% registrados entre consumidores.
Além disso, 80% de profissionais e criadores concordam que a tecnologia tem potencial para aprimorar a jornada de compras online como um todo.
Por outro lado, quase metade dos entrevistados (49%) demonstra preocupação de que recomendações geradas por IA possam reforçar vieses, especialmente quando incentivos comerciais e anúncios pagos influenciam os resultados. A resistência também aparece no uso de dados: 63% dos consumidores afirmam sentir desconforto com a utilização de seus históricos de navegação e compras para gerar recomendações personalizadas.
O papel das recomendações humanas
Ferramentas de IA prometem mais eficiência, redução de custos e escala ampliada. Ainda assim, permanecem dúvidas sobre seu impacto no processo criativo, sobretudo quanto ao limite da automação em atividades que envolvem sensibilidade, imaginação e supervisão humana.
O cenário pode se tornar ainda mais desafiador com o avanço de tecnologias cada vez mais sofisticadas e difíceis de identificar. Tendências recentes apontam para a ascensão de influenciadores virtuais. No ano passado, o empreendedor chinês Luo Yunghao gerou US$ 7,6 milhões em vendas em sete horas de transmissão ao vivo, utilizando clones digitais de si mesmo e de seu cofundador.
Apesar disso, o público continua a encarar a tecnologia com desconfiança. Criadores de conteúdo, reconhecidos pela empatia, proximidade e relação construída com suas audiências, mantêm vantagem competitiva justamente por seu caráter humano.
“Marcas que cultivarem um ecossistema próspero de recomendações confiáveis lideradas por criadores sairão na frente, porque é exatamente nisso que tanto os consumidores quanto os sistemas de IA vão se apoiar ao decidir o que comprar”, afirmou Thomas Walters, diretor de inovação da Billion Dollar Boy, em comunicado.
Ele acrescentou que “as marcas não vencerão produzindo mais conteúdo, mas sim entregando provas mais confiáveis.”
O estudo foi conduzido pela Censuswide, entre 20/6 e 1/6 de 2025, com 4 mil consumidores (16+), mil criadores de conteúdo e mil executivos seniores de marketing no Reino Unido e nos Estados Unidos.
Foto: Freepik
Fonte: WARC
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