O Brasil encerrou 2025 com um número que o mercado automotivo não via desde o início das medições, em 2011. Foram 18.508.929 veículos usados e seminovos comercializados ao longo do ano — um crescimento de 17,3% em relação a 2024, quando o setor já havia registrado 15,7 milhões de transações, segundo dados da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores).
Para entender o tamanho desse número, basta uma comparação: o mercado de seminovos e usados é hoje sete vezes maior do que o de zero-quilômetros, que encerrou 2025 com cerca de 2,5 milhões de emplacamentos. Enquanto o segmento de novos cresceu aproximadamente 2%, o de usados avançou em ritmo quase dez vezes superior.
Para Marinho Veículos, loja com mais de 25 anos no mercado de veículos seminovos em Sorocaba, o resultado confirma uma tendência estrutural — não conjuntural — na forma como o brasileiro compra carro.
O que explica o recorde
O crescimento não foi obra de um único fator. O cenário econômico de 2025, com Selic elevada e preços dos zero-quilômetros pressionados pela depreciação cambial e pelo custo de produção, empurrou uma parcela relevante de consumidores para o mercado de usados. Mas, diferentemente de crises anteriores, a migração não foi apenas por necessidade. Ela revelou uma mudança de comportamento.
O segmento de seminovos — veículos com até três anos de uso — cresceu 40,4% em relação ao ano anterior, superando o crescimento do mercado de usados como um todo. Isso indica que o comprador não está apenas em busca do mais barato: ele quer tecnologia, garantia e procedência. E está encontrando isso no mercado de seminovos.
O Volkswagen Gol liderou o ranking de negociações ao longo do ano — um sinal de que modelos com boa liquidez, rede de manutenção consolidada e peças acessíveis continuam dominando as preferências, especialmente nas faixas de renda média.

Crédito em nível recorde impulsiona o setor
Outro pilar do crescimento foi o financiamento. De acordo com levantamento da B3, o crédito automotivo no Brasil atingiu 7,3 milhões de unidades financiadas em 2025.
Em resumo, o melhor resultado em 14 anos, com alta de 2% sobre 2024.
Os usados lideraram com folga: 4,6 milhões de unidades financiadas, contra 2,6 milhões de veículos novos. É a primeira vez que a diferença entre as duas categorias atinge essa proporção na série histórica. Além disso, reforça que o mercado de usados deixou de ser opção de segunda linha para se tornar destino de primeira escolha.
A expansão do crédito foi puxada pelas regiões Nordeste (+12,3%) e Norte (+9,8%). Em resumo, isso indica uma interiorização do mercado — ou seja, o crescimento saiu dos grandes centros para cidades médias e novas praças. O Sudeste, mesmo assim, manteve a liderança com 41,9% do total financiado, seguido pelo Sul (20,2%) e Nordeste (19,5%).
O timing do recorde: novembro antecipou a virada
Um dado que ilustra a velocidade do crescimento: o recorde foi batido em novembro de 2025, antes do fim do ano. O setor superou em novembro o total registrado em todo o ano de 2024 — e ainda tinha dezembro pela frente.
A queda mensal de novembro, de 15,6% em relação a outubro (com 1.490.375 unidades comercializadas), não alterou o quadro anual. A retração foi explicada pela redução de quatro dias úteis no mês — fenômeno que o setor já documenta como previsível no calendário.

Profissionalização como diferencial competitivo
O crescimento do mercado trouxe também um fenômeno importante: a profissionalização das lojas especializadas ganhou peso na decisão de compra. Com volumes tão altos, o consumidor aprendeu a distinguir procedência, garantia e transparência como critérios centrais — não apenas preço.
Dados da própria Fenauto indicam que o comprador de seminovo em 2025 pesquisou mais, comparou mais e exigiu mais documentação antes de fechar negócio. O tempo médio entre a primeira pesquisa e a compra aumentou. Contudo, a satisfação pós-venda também cresceu nos segmentos onde lojas operam com processos mais rígidos de inspeção e pós-venda.
O que o crescimento exige do setor: responsabilidade jurídica em pauta
Com 18,5 milhões de transações em 2025, o mercado de seminovos ganhou escala — e com ela, mais atenção do Código de Defesa do Consumidor. O artigo 26 do CDC garante ao comprador 90 dias de garantia legal em qualquer aquisição feita em loja ou revendedora, independentemente do estado do veículo. Vícios ocultos não informados obrigam o vendedor a reparar, substituir ou devolver o valor pago.
Segundo explicação de Marcos André Paes de Vilhena, mestre em Direito Constitucional com mais de quatro décadas de expertise:
Entenda | Financiamento com score baixo
2026: manutenção do crescimento ou acomodação?
Para 2026, a expectativa do setor é de consolidação. A Selic segue elevada — com projeção de 15% ao ano na primeira reunião do Copom de janeiro. Além disso, os preços dos zero quilômetros continuam sem perspectiva de queda relevante no curto prazo. Isso mantém o seminovo como alternativa economicamente racional para a maioria dos compradores.
A inflação de carros usados, que acelerou no início de 2026 e reflete o aquecimento do mercado, é o principal ponto de atenção. O crescimento da demanda sem expansão equivalente da oferta tende a pressionar preços. Sendo assim, exige do comprador mais critério na negociação e no momento de entrada.
O recorde de 2025 não foi um acidente. Foi o resultado de um mercado maduro, com mais crédito, mais oferta qualificada. E, claro, um consumidor que aprendeu a calcular melhor o custo real de ter um carro.
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