Pós-carnaval expõe distorção do papel do RP em eventos

Com o fim do Carnaval, uma dinâmica ficou ainda mais nítida para marcas e organizadores: camarotes e ativações deixaram de ser apenas “festa” e passaram a operar como plataformas complexas, com múltiplos patrocinadores, experiências simultâneas e disputa intensa por atenção. Nesse cenário, cresce um equívoco recorrente no mercado: reduzir Relações Públicas a lista de convidados, […]

Com o fim do Carnaval, uma dinâmica ficou ainda mais nítida para marcas e organizadores: camarotes e ativações deixaram de ser apenas “festa” e passaram a operar como plataformas complexas, com múltiplos patrocinadores, experiências simultâneas e disputa intensa por atenção.

Nesse cenário, cresce um equívoco recorrente no mercado: reduzir Relações Públicas a lista de convidados, volume de presença e foto, quando o papel estratégico do RP é outro.

“Pós-Carnaval sempre me toca por um motivo simples: dá pra ver, sem filtro, a diferença entre presença e estratégia. Em evento, ‘estar’ é fácil. Difícil é sair de lá com reputação mais clara e relação construída”, afirma Lucca Koch, Diretor de Comunicação, Posicionamento e Reputação.

Nos últimos anos, a visibilidade do Carnaval também ampliou o destaque em torno do bastidor dos camarotes e de quem opera essa curadoria. Profissionais conhecidos do mercado passaram a ganhar mais atenção pública, e a conversa sobre “quem estava” em cada espaço virou, muitas vezes, o foco principal. Para Lucca, essa lente revela apenas uma parte da história. “Em muitos lugares, RP virou sinônimo de lista. Lista é uma parte da operação, mas não é estratégia. Estratégia é segurar o fio: por que a marca está ali, com quem ela precisa falar, que história fica clara no fim da noite e o que acontece depois.”

Segundo o especialista, quando RP vira apenas lista, a marca pode até gerar barulho por algumas horas, mas não necessariamente constrói reputação, confiança e oportunidade real. “Chamar um monte de gente e jogar dentro de um evento pode render conteúdo. Só que conteúdo não é direção. O trabalho bom de RP começa antes do evento e continua quando o stories já morreu. Sem isso, o investimento vira espuma.”

Para pequenas e médias marcas, o risco é ainda maior. Sem a possibilidade de sustentar percepção com repetição, mídia paga e grande distribuição, a eficiência precisa ser maior e o planejamento, mais intencional. “Marca grande consegue se bancar no volume. A pequena e média não tem gordura pra pagar caro e sair só com barulho bonito. Ela precisa de clareza, conexão e próximos passos. Evento virou plataforma de marca. Se entra sem direção, aparece, mas não se torna lembrada, nem escolhida.”

Lucca reforça que estratégia não significa um planejamento pesado ou burocrático, e sim clareza aplicada. “Não é sobre convidar mais, mas estar com as pessoas certas, criar contexto e costurar o que vem depois. RP não é apenas quem coloca gente no espaço, mas sim, quem transforma o espaço em jornada de negócio.”

Na prática, ele aponta quatro pilares essenciais: objetivo simples, curadoria intencional de convidados e parceiros, alinhamento de narrativa com a experiência e um pós-evento estruturado para transformar encontros em relação, seja com a imprensa, parceiros ou potenciais clientes.

A pauta se conecta a um movimento maior observado no setor: camarotes e eventos de grande escala operando como ecossistemas com dezenas de marcas, ativações e experiências concorrendo no mesmo ambiente, ao mesmo tempo em que os custos de presença crescem e a pressão por retorno vai além de alcance e postagem. Ainda assim, para Lucca, a discussão não deveria ficar restrita a grandes estruturas. “Isso vale até para eventos pequenos. Um jantar, um encontro fechado, um coquetel de lançamento, uma ação local. Independente do tamanho da marca e do evento, RP é a figura que transforma presença em relação e relação em oportunidade. Sem direção, até o evento pequeno vira só uma reunião social; com direção, ele vira plataforma.”

“O pós-Carnaval é um ótimo momento para revisar a régua”, conclui Lucca. “Em vez de perguntar ‘quantas pessoas postaram’, faz mais sentido perguntar ‘o que ficou claro sobre essa marca’ e ‘que relações foram construídas para sustentar o próximo mês’.”

Foto de Gilles Lambert na Unsplash

 

Entre em contato com o AcontecendoAqui se tiver interesse em divulgar seus trabalhos para a ComunidadeAcontecendoAqui. Envie um e-mail para redacao@acontecendoaqui.com.br

O post Pós-carnaval expõe distorção do papel do RP em eventos apareceu primeiro em Acontecendo Aqui.

Leia também

Menu

Redes Sociais

Fale Conosco

Entre em contato com nosso time de especialistas, estamos prontos para te atender.