A linha Total 90, um dos símbolos mais nostálgicos da Nike no futebol, ocupa papel estratégico nos planos da empresa para a próxima Copa do Mundo.
O problema é que, apesar do investimento pesado no retorno da marca, a companhia deixou vencer o registro da Total 90 no mercado norte-americano.
Nos últimos meses, a Nike trabalhou para reposicionar a linha cult de chuteiras com uma abordagem que mistura memória esportiva e streetwear.
O pacote inclui uma releitura da chuteira retrô, lançamento de novos uniformes e bolas, além da organização de eventos promocionais em cidades como Melbourne e Milão.
Ainda assim, em meio à estratégia global de relançamento, um ponto essencial passou despercebido: a renovação dos direitos da marca registrada nos Estados Unidos, um dos principais mercados da empresa.
Registro esquecido abre disputa na justiça entre a Nike e o criador da Total90
Quem não deixou a oportunidade passar foi Hugh Bartlett, engenheiro e treinador de futebol de base, sem qualquer ligação com a Nike.
Há cerca de um ano, o morador de Nova Orleans, de 35 anos, entrou em contato com o departamento jurídico da empresa para informar que havia registrado a marca Total90, após o vencimento do registro original da Nike, em 2019.
Desde então, Bartlett passou a desenvolver sua própria linha de roupas e calçados sob o nome Total90 e chegou a sugerir uma possível colaboração entre as partes. Em um e-mail, afirmou estar disposto a dialogar sobre uma parceria, assinando a mensagem como diretor-executivo da Total90 LLC.
A conversa, no entanto, não avançou. Em vez de um acordo, o caso evoluiu para um embate judicial: em novembro, a empresa de Bartlett entrou com uma ação contra a Nike por violação de marca registrada. Agora, a fabricante enfrenta o risco de uma disputa legal afetar seus planos de marketing para a Copa do Mundo, que começa em junho.
A Nike obteve uma vitória parcial neste mês, após uma juíza federal do Distrito Leste da Louisiana rejeitar o pedido de Hugh Bartlett para suspender temporariamente a venda de produtos da linha Total 90 pela empresa. Segundo a magistrada, a companhia de Bartlett não apresentou provas de que concorre diretamente com a Nike nem de que haveria risco de confusão entre os consumidores, como sustentava a ação.
Apesar do revés inicial para Bartlett, a disputa representa um obstáculo inesperado aos planos da Nike de explorar comercialmente a Copa do Mundo, que será realizada na América do Norte no próximo ano. O torneio é considerado um dos palcos mais relevantes do marketing esportivo global, especialmente na rivalidade entre Nike e Adidas, patrocinadoras históricas de diversas seleções.
No centro do embate jurídico está a discussão sobre se a Nike teria abandonado a marca Total 90 ao não renovar seu registro. A empresa pediu o cancelamento dos registros obtidos por Bartlett e argumentou em documentos judiciais que, embora tenha “permitido” a expiração formal do registro, jamais deixou de usar a marca, mantendo direitos baseados no common law.
A juíza concordou, ao menos em parte, com esse entendimento, apontando que a Nike continuou explorando a marca após o vencimento do registro, inclusive por meio de contratos de licenciamento com a desenvolvedora de videogames Electronic Arts.
As partes também divergem quanto às intenções de Bartlett. Nos autos, a Nike o descreve como alguém que se aproveitou de um lapso burocrático para buscar ganho financeiro. Em outubro, a empresa chegou a oferecer cerca de US$ 80 mil pela marca, segundo e-mails anexados ao processo. A resposta de Bartlett e de seu advogado veio em forma de contraproposta: US$ 2,5 milhões, ou a possibilidade de uma liminar contra a Nike.
Foto: Unsplash
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